Com certeza ter filhos traz um novo leque de habilidades para muitos profissionais.
As perspectivas e crenças mudam, ressignificamos valores e prioridades, desenvolvemos uma melhor gestão de tempo e técnicas de priorização e resiliência ímpar. Comigo não foi diferente, mas esse artigo não é sobre isso...
Olhando em retrospecto, fui gestora por muitos anos antes de ser mãe, e foram os aprendizados da liderança que permitiram, de muitas maneiras, que eu me tornasse uma mãe melhor. E este artigo é sobre isso!
Quando iniciei minha jornada na liderança, na minha caminhada como líder, nunca imaginei que as lições aprendidas gerenciando equipes impactariam tão profundamente meu papel como mãe. A verdade é que, ao longo dos anos, as habilidades desenvolvidas no ambiente corporativo se tornaram fundamentais para criar um ambiente familiar mais saudável, harmonioso e criativo.
Essas são algumas das principais lições que me ajudaram a ser uma mãe melhor:
Cada pessoa tem seu ritmo
Na gestão de equipes, uma das primeiras lições que aprendi foi respeitar o ritmo de cada colaborador. Nem todos aprendem da mesma maneira ou na mesma velocidade. Esse entendimento foi decisivo ao lidar com o desenvolvimento do meu filho. Percebi que, assim como no trabalho, forçar um ritmo acelerado pode gerar estresse e ansiedade. Ao invés disso, passei a valorizar seu progresso por si só, sem comparações, individual, incentivando-o a seguir seu próprio caminho, respeitando seu tempo de aprendizado.
Adaptação da linguagem de acordo com o público e maturidade
No trabalho, a comunicação é a chave para o sucesso. Com uma equipe diversificada, precisei adaptar minha linguagem e abordagem conforme a maturidade e o entendimento de cada membro. Isso também se aplica à maternidade. A cada nova fase, a comunicação se torna mais elaborada e o repertório vai se ampliando. Assim o que digo para o meu filho hoje precisa se adaptar e ser diferente de antes. Assim como no mundo corporativo, observar, estudar e entender o nível de compreensão e maturidade dele me ajuda a ser mais efetiva na comunicação, promovendo um ambiente de diálogo aberto.
Não assumir que o outro já sabe
Como líderes, muitas vezes caímos na armadilha de supor que o outro já conhece algo ou que deveria saber. Vale para a estratégia, para os objetivos do negócio e para as tarefas que esperamos que executem no dia a dia. Isso pode levar a mal-entendidos, erros e frustrações de ambos os lados, gestores e times. Como reflexo desse aprendizado, ao delegar ou solicitar algo, adotei a prática de explicar minhas expectativas e necessidades, sem pressuposições. Com meu filho não é diferente. Isso ajuda a fortalecer nossos vínculos através da comunicação empática e permite o desenvolvimento mútuo de confiança, sabendo que ele buscará esclarecimentos quando necessário.
Habilidades diferentes para entregas diferentes
Assim como na gestão de projetos, cada tarefa requer uma habilidade específica. Quando assumo uma nova equipe, meu primeiro passo é entender quem são esses colaboradores, suas necessidades e seus potenciais individuais. Com essa compreensão, é possível avaliar e adequar escopos e atribuições, direcionando talentos de forma mais eficaz, aumentado a motivação e a qualidade das entregas ao aproveitar o que cada um tem de melhor. Na maternidade, percebi que a dinâmica é muito semelhante. Um olhar profundo e integro, aliados a uma escuta ativa. Ora preciso ser cuidadosa e atenta aos detalhes, ora preciso ser criativa e encorajadora, ora estabelecendo os limites e cobrando combinados. Essa plasticidade, atenção e flexibilidade, aprendida na gestão, tornou-se essencial na minha rotina familiar, permitindo que eu possa apoiar meu filho de maneira mais eficaz, alinhando minhas abordagens às suas necessidades individuais, aproveitando o máximo de seu potencial.
Reforço positivo e feedback construtivo
No ambiente de trabalho, aprendi que o reconhecimento não apenas do sucesso, mas também das tentativas que não deram certo, é uma poderosa ferramenta de motivação. Em casa, comecei a aplicar o mesmo princípio. Elogiar os esforços do meu filho, mesmo quando erra, e dar feedbacks construtivos, usando questionamentos em vez de julgamentos, tem sido fundamental para criar um ambiente emocionalmente seguro. Isso o ajuda a entender que o erro faz parte do processo de aprendizado e que o importante é continuar tentando, desenvolvendo com isso novas soluções e habilidades.
Ensinar a pensar: estímulo à criatividade e desenvolvimento cognitivo
Como líder, meu papel não é apenas dar todas as respostas e sim o norte, ensinando minha equipe a pensar criticamente, permitindo que desenvolvam autonomia, colaboração e a capacidade de encontrar alternativas e conexões. Com meu filho, tenho adotado a mesma abordagem, estimulando-o a resolver problemas por conta própria, a ser criativo e a desenvolver suas habilidades cognitivas. Esse estímulo ao pensamento independente tem sido valioso para o crescimento dele e para a construção de sua autoconfiança.
Ser líder me ensinou que a paciência, a comunicação e o respeito pelas individualidades são pilares não só para o sucesso no trabalho, mas também para a criação de filhos mais confiantes, felizes e preparados para os desafios da vida. A experiência de ser gestora, sem dúvida, me tornou uma mãe mais consciente e presente.
Essa troca constante entre a vida profissional e pessoal é um lembrete poderoso de que as habilidades de liderança são valiosas em todos os aspectos da vida. Como mães, estamos continuamente gerenciando pequenas equipes que, com o tempo e dedicação, se tornarão também grandes líderes.
Que possamos seguir aprendendo e aplicando essas lições, tanto no escritório quanto em casa. Afinal, ser mãe e ser líder são duas jornadas que se complementam de forma única e maravilhosa.