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Como avaliar se uma nova iniciativa realmente para em pé

Uma boa ideia não é necessariamente uma iniciativa viável.

Antes de investir significativamente em um novo negócio, produto, operação ou plataforma, é preciso entender se as premissas que sustentam a iniciativa sobrevivem quando confrontadas com a realidade da execução.

Isso exige olhar além da oportunidade comercial.

Dependendo do caso, a resposta pode estar na combinação entre modelo de negócio, produto, tecnologia, operação, fornecedores, regulação, pessoas, custos, receitas e capacidade de execução.

Avaliar uma iniciativa significa transformar essas dimensões em uma visão única que permita decidir se vale avançar, sob quais condições e com quais riscos.

O problema normalmente é maior do que parece no início

Muitas iniciativas chegam à mesa executiva já acompanhadas de uma solução:

“Precisamos contratar uma plataforma.”

“Precisamos desenvolver esse produto.”

“Precisamos escolher um fornecedor.”

“Precisamos implantar IA.”

Mas essas podem ser perguntas prematuras.

Antes delas existe uma questão mais importante:

O que precisa ser verdade para essa iniciativa funcionar?

Uma tecnologia pode funcionar e o modelo econômico não fechar.

O produto pode ser bom e a operação não conseguir sustentá-lo.

O fornecedor pode atender aos requisitos técnicos e criar uma dependência operacional inadequada.

A oportunidade comercial pode existir e o custo ou a complexidade necessários para capturá-la não se justificarem.

Por isso, avaliar cada dimensão isoladamente pode produzir respostas tecnicamente corretas para uma decisão empresarial errada.

O que avaliar antes de avançar

Não existe uma checklist universal.

A análise deve partir da decisão que precisa ser tomada e investigar as dimensões que realmente podem alterá-la.

Dependendo da iniciativa, isso pode incluir:

Modelo de negócio e oportunidade

Qual problema está sendo resolvido? Para quem? Como a iniciativa gera valor e receita? Quais premissas precisam se confirmar?

Produto

O que realmente precisa existir para entregar a proposta de valor? O que é essencial no início e o que pode esperar?

Tecnologia

O que precisa ser construído, comprado ou integrado? Quais decisões criam dependências difíceis de reverter?

Operação

Como a iniciativa funcionará no mundo real? Quais processos, pessoas, controles e exceções precisam existir?

Fornecedores e parceiros

Que capacidades dependem de terceiros? Quais riscos, custos e dependências essa escolha cria?

Regulação e controles

Existem requisitos regulatórios, jurídicos, de segurança, privacidade ou controle que alteram o desenho da operação?

Viabilidade econômica

Quanto custa colocar a iniciativa de pé e mantê-la? Quais receitas são plausíveis? Qual escala é necessária? Quanto capital e tempo serão necessários até chegar lá?

Capacidade de execução

A organização possui as pessoas, competências, governança e capacidade e disciplina de decisão necessárias para executar o plano?

Um caso real: de avaliação regulatória para o MVP de uma nova operação financeira

Em um projeto para o spin-off de uma grande empresa, a demanda inicial estava relacionada à avaliação regulatória de um BaaS para suportar uma nova operação financeira.

A análise inicial mostrou que a decisão exigiria muito mais.

Muito além do compliance regulatório, foi necessário avaliar alternativas tecnológicas e diferentes fornecedores, definir as funcionalidades da operação, estruturar o roadmap, especificar jornadas e requisitos e transformar a ideia em algo executável.

O trabalho avançou da avaliação inicial até a entrega de um MVP funcional de conta digital.

O caso ilustra um padrão que encontro com frequência: o problema apresentado inicialmente é apenas uma parte da decisão que realmente precisa ser tomada.

Como trabalhamos nesse tipo de situação

O ponto de partida não é uma solução previamente escolhida.

É a decisão.

Primeiro, definimos qual pergunta precisa ser respondida.

Depois, identificadas as premissas, partimos para investigação das dimensões capazes de confirmar, alterar ou inviabilizar a hipótese inicial.

Por fim, organizamos o cenário para decisão:

Alternativas. Evidências. Trade-offs. Recomendação.

A recomendação pode ser avançar, avançar sob determinadas condições, reformular a iniciativa ou não avançar.

A decisão continua sendo do cliente.

Está avaliando uma nova iniciativa?

Se existe uma oportunidade relevante, mas ainda não está claro se — ou como — ela deveria avançar, podemos começar pela decisão que você precisa tomar.